SINPRO-PE | SINDICATO DOS PROFESSORES DO ESTADO DE PERNAMBUCO

O PAPEL DOS MOVIMENTOS COMUNITÁRIOS NA RESISTÊNCIA POPULAR

Por : Wallace Melo

Dinâmico em suas práticas e dotado de grande capacidade de articulação e reivindicação, visando melhorias sociais e soluções para os problemas cotidianos, o movimento comunitário, nesse presente contexto político, se estabelece mais uma vez como uma importante ferramenta democrática, visando, sobretudo, a defesa dos interesses coletivos dentro dos bairros e nas cidades.

E diante da atual quadra que se encontra o país, marcada pelo forte desmonte do Estado democrático, maximização do conservadorismo, do racismo, da discriminação religiosa, da homofobia e da chacina da juventude negra nas periferias, bem como a emergência do conjunto de políticas, que já se consideram como as mais danosas à nação, não se tem dúvida que, as organizações comunitárias, na sua diversidade de formas e de atuação, detêm um papel relevante, principalmente no que tange a mobilização popular e no protagonismo nas lutas, na resistência e na defesa dos direitos da classe trabalhadora.

Tais organizações (associações, conselho de moradores, clube de mães etc.), por serem instituições criadas pela iniciativa da população, tendo entre outros fins, a finalidade de efetivar uma representação política junto a comunidade e perante o poder público, deve, nesse momento focar seus esforços na formação democrática do povo, juntando-se ao conjunto dos movimentos sociais na defesa do retorno ao desenvolvimento no Brasil.

E, à medida que a sociedade vem percebendo e sentindo o aumento das contradições oriundas de um panorama de crise, a carência na oferta de equipamentos e serviços públicos se torna mais visível à população, sobretudo aos mais humildes. Após a aprovação da Emenda Constitucional Nº 95, que congelou os recursos públicos voltados aos investimentos sociais, o povo brasileiro vem convivendo constantemente com o não atendimento no acesso à educação, a políticas de moradia, a assistência, postos de saúde e nos hospitais públicos (que já estão sentindo falta de profissionais e contam, em sua maioria, com seus estoques de remédios reduzidos). Soma-se a esse quadro caótico, o desemprego e a precarização dos postos de trabalho, principalmente após a aprovação da reforma trabalhista.

Nesse cenário, urge a real necessidade da ampliação do trabalho de base, das entidades e lideranças comunitárias mobilizarem, ainda mais, os diversos setores da população, visando a formulação de estratégias, a fim de se consolidar um quadro de lutas e reivindicações.

Historicamente, as entidades comunitárias, organizadas nos mais diversos bairros, sempre foram instrumentos relevantes para as conquistas democráticas no país. Semelhante aos sindicatos, partidos políticos, igrejas e entidades estudantis, o movimento comunitário também foi um importante foco de resistência aos regimes ditatoriais iniciados na década de 1960 e responsável pela implementação de uma nova relação entre o Estado e a sociedade civil. Indiscutivelmente, a história das políticas públicas no Brasil tem uma de suas origens nos movimentos de bairros.

E frente ao atual quadro político adverso, é acertado lembrar que o sucesso das políticas sociais se deu, principalmente pelo acúmulo de forças e de articulação que os movimentos comunitários, junto aos demais setores populares conseguiram ao longo das últimas décadas. Porém, os desafios se ampliaram, a participação e o controle social estão sendo atacados constantemente, e caberá agora, ao protagonismo político das diversas formas de organizações populares, lutarem contra esse retrocesso que vem sendo importo à nação.

A reforma da previdência proposta pelo governo federal, por meio de emenda constitucional deve ser a pauta central dos movimentos populares nos bairros, assim como os cortes nos investimentos na educação, a política de mobilidade urbana, o enfretamento a violência e a necessária geração de emprego e renda.

Caso sejam modificadas as regras previdenciárias, por exemplo, o direito à aposentadoria será praticamente extinto no país, e seremos testemunhas da criação de um dos maiores contingentes populacionais de pessoas em situação de miséria no Brasil. Os setores de comércio e serviço, por sua vez, colherão inúmeros prejuízos com a diminuição da procura e do consumo. É mais desemprego nas casas e nas famílias.

Dessa forma, os bairros, as comunidades e favelas não podem ser calados. Precisamos acender a rebeldia popular frente aos desmandos do atual governo federal, que nos impõem, a cada dia, mais retrocessos, miséria, violência e desemprego. O povo precisa ter sua autoestima novamente elevada, e o caminho se dá por meio da luta política.

Nesse contexto, é imperioso à nação, um chamamento amplo e democrático às lutas comunitárias, fortalecendo as suas organizações e representações, trazendo as pautas da política às realidades locais e, mobilizando a todos para o enfretamento a esse estado de contradições.

Assim, os dias nos convocam à luta! Pela democracia! Pelo desenvolvimento nacional! Pela libertação do presidente Lula e pela soberania do povo brasileiro! Sigamos junt@s! Nas ruas, nas praças e em todos os lugares!

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