SINPRO-PE | SINDICATO DOS PROFESSORES DO ESTADO DE PERNAMBUCO

A NOVA ESCOLA NÃO NASCEU!!

Por : Wallace Melo

Uma nova escola urge nascer! Eis uma expressão muito utilizada por diversos agentes educacionais, principalmente quando estamos diante de palestras e formações de professores. Aqueles momentos que, com o devido respeito e máxima vênia, pessoas dissertam brilhantemente sobre os mais variados temas pedagógicos, mesmo sem o devido acúmulo ou experiência devida nos fazeres educacionais. Mas isso é uma outra história!

Pois bem, prefiro pensar que, ao invés da profecia do nascimento de uma outra escola, os processos históricos não fazem brotar o novo, e sim, transformam aquilo que já está posto. Observar dessa maneira, permite uma melhor visualização e compreensão principalmente no que diz respeito as permanências e rupturas percebidas ao longo tempo.

Refiro-me a esta reflexão,  para tratar sobre as mudanças ocorridas no cotidiano escolar, desde o início da pandemia, realidade que transformou, dentre as tantas outras situações cotidianas, as práticas didáticas, principalmente quando nos referimos ao ensino remoto.

Porém, mesmo diante tamanhas metamorfoses, as estruturas pedagógicas rígidas, conteudistas e quantitativas ainda se apresentam de forma hegemônica aos contextos educacionais.

A nova escola não nasceu, ela apenas de adaptou

Com a pandemia, a escola se transformou, para o bem ou para o mal.  E nesse horizonte ressignificado, os processos impôs mudanças e adaptações necessárias. Os dias letivos foram flexibilizados, assim como as formas de avaliação. Temários que, embora existentes e correlacionados com a educação, se aproximaram rapidamente dos estudantes e professores(as), a exemplo das tecnologias da informação e comunicação, ensino híbrido, metodologias ativas, sala de aula invertida etc. E vimos surgir, um”museu de grandes novidades”

Recuso aceitar essa lógica natalícia, que conclama pelo nascimento de um novo. Mas, se assim for, não tenho dúvidas que nessa escola hodierna, habita dominantemente os valores de uma “old school”, com direito a provas, exposição monóloga de conteúdos, uso rotineiro dos livros e apostilas, notas, médias, aprovação, reprovação, frequencia, caderneta e tudo aquilo que é percebido como mais engessado e tradicional nas práticas pedagógicas.

É falso esse jogo do novo e do velho, nessa dicotomia, o que mais reside é a malícia e, principalmente a ampliação das jornadas laborais, desregulamentação do trabalho e redução dos ganhos. Fatos já percebidos pela maioria dos professores e professoras que estão presos à rotina do ensino remoto. Pois bem, se as transformações são inevitáveis, também não incorre em prejuízo  lembrarmos que,”cautela e canja de galinha nunca fizeram mal à ninguém”.

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